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Curso Butoh-MA com Tadashi Endo em São Paulo

“O dançarino não deve dançar, mas ser dançado”

Através de trabalhos práticos, individuais e em grupos, com exercícios criados pelo próprio Endo, e outros com grandes influências do teatro clássico japonês, Noh e Kabuki, os participantes terão a oportunidade de vivenciar alguns elementos od butoh: as diversas dinâmicas de tempo e ritmo, a variação espacial dos movimentos, os pés como único órgão de visão e percepção, a transformação de imagens em movimento, as diferentes qualidades de energia, o corpo-metamorfose, etc.

Tadashi Endo, aluno do grande dançarino de Butoh Kazuo Ohno, encontrou seu caminho na dança no que ele chama de “Butoh-MA”.

MA no Zen-Budismo significa “vazio” e “espaço entre as coisas”. Butoh-MA é o caminho para tornar visível o invisível. O mínimo de movimentos faz com que a expressão dos sentimentos e situações cresçam em intensidade. Torna-se mais importante manter o equilíbrio entre energia, tensão e controle, do que se preocupar com a forma e a estética dos movimentos.
A intenção do dançarino de Butoh é encontrar a relação com seu mundo mais profundo a partir do qual sua dança ganha corpo e se expressa no espaço e no tempo.

A maneira particular que o Butoh trabalha o corpo, abre caminhos de busca para atores e bailarinos, dado que sua principal característica é o encontro de uma dança que seja antes de tudo conectada com a pessoa que a realiza.

São Paulo
Datas: 09 a 11 de março (sexta a domingo)
Horário: 09/03 (sexta) 18h30 às 22h30 – 10 e 11/01 (sábado e domingo) das 10h às 19h
Carga Horária: 20h
Valor: R$ 700,00 
(Clique aqui para baixar a  ficha de inscrição e consultr as formas de pagamento)
Vagas:26
Local: ESPAÇO (Rua Alves Guimarães,1374 – Próx ao metrô Sumaré)

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Homenagem Kazuo Ono – Dançarino do Invisível

Não ha escuridão na noite agora. Antigamente a escuridão era nítida.

Hijikata2

Kazuo Ono nasceu em 1906 na cidade de Hakodate e percorreu em dança uma trajetória difusa, aos 27 anos se matriculou na escola de dança moderna ocidental de Baku Ishii, para incluir a dança no seu currículo de Educador Físico. Mal sabia ele que seria considerado a “alma” da dança Butoh e o pai da dança moderna no Japão.

A dança Butoh nasce nos anos 50 em um Japão pós-guerra, um Japão marcado por duas bombas atômicas e um abraço “amigável” dos “heróis” da guerra. Dentro dessa dicotomia de pensamentos é uma arte do corpo profundamente enraizada com a morte.

Pensar em um corpo japonês no imaginário de um ocidental seria talvez um samurai, um monge, uma gueixa delicada. O butoh trará questões muito diferentes desse paradigma para o corpo e para a dança. Essa quebra com a tradição de dança ao se pensar nas danças tradicionais do Japão fará surgir um novo corpo perecível, inacabado e em colapso.  Um corpo morto e suas possíveis movimentações. Essa manifestação não nasce isoladamente outros eventos como

“teatros angura (do inglês,  underground), a arte de obsessão, o movimento anforumeru (do francês,  informelle), as ações performáticas dos grupos Gutai e Mono-ha (A Escola das Coisas), entre tantos outros eventos, por vezes,  inomeáveis. Não apenas o butô, mas muitos destes manifestos artístico-filosóficos apresentaram novos treinamentos, o que no contexto da cultura japonesa significava, antes de mais nada, novos corpos e novos pensamentos.”

Greiner, Chirstine O colapso do corpo a partir do ankoku butô

de Hijikata Tatsumi em  disponivel em

Link- Clique aqui

Dançar na métrica do bale ou saltar como um bailarino de Jazz era algo que o corpo japonês não pretendia exprimir. Nas palavras de Hijikata fundador do Butoh “(…)minha dança se originou em um lugar que não tem nenhuma afinidade com templos xinto ou templos budistas. Estou bem ciente que meus movimentos são construídos a partir da lama”2

Mostrando aos poucos a proposta mais preciosa do butô: a investigação de como um corpo artista muda de estado, passando de corpo morto a corpo vivo, da aparente imobilidade à ação, do silêncio à palavra encarnada.

Caberia aqui a pergunta do que fica desse corpo japonês para a dança brasileira?

Kazuo Ono que faleceu no dia 1 de junho aos 103 anos  tendo se apresentado no Brasil em abril de 1986 uma iniciativa de Ameir de Paula, Felicia Ogawa e Takao Kusuo, volta em 1992 em Londrina, Santo Andre e Belo Horizonte com os espetáculos Water Lilies e Ka-Cho-Fu-Getsu.

Confira o vídeos em homenagem a um grande bailarino.

2 . Baiocchi, Maura. Butoh dança veredas da alma. Sào Paulo : Palas Athena, 1995.

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