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Lançamento de Trishapensamento de Adriana Banana e 15 anos do Clube Ur=H0r

A obra “Trishapensamento: Espaço como Previsão Meteorológica”, da artista e pesquisadora Adriana Banana, será lançado em Belo Horizonte no dia 28 de maio, às 9h no Núcleo Estudos da Imagem, na Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas (Av. Dom José Gaspar, 500, prédio 14/ sala 306, Bairro Coração Eucarístico) e das 19h às 21h no Programa Centro de Produção e Documentação do Teatro Universitário UFMG (Av. Antônio Carlos, 6627, Campus Pampulha, Sala Otávio Cardoso Teatro Universitário). Já no dia 5 de junho, em São Paulo, o livro será lançado às 20h, no Programa Encontros de Dança, na Sala de Ensaio do Teatro da PUC SP – Tuca (Rua Monte Alegre, 1024 – Bairro Perdizes – São Paulo – SP).

O livro, financiado por meio de recursos do Fundo Estadual de Cultura, realizado pelo Clube Ur=H0r -, produzido pela Atômica Artes e Tapioca Cultura com o apoio do FID Editorial, conta ainda com design da Mariana Hardy, da Hardy Design. O lançamento não ocorrerá da forma convencional. Ao invés da autora, estática, em uma mesa, autografando os exemplares, Adriana se propõe a debater a obra, através de palestras, mostras de fotos, vídeos e textos da pesquisa de sua tese de mestrado. “O mais importante não sou eu, a autora, e sim a obra, o que está no livro, que deve ser discutido como qualquer outra forma de conhecimento. E isso tem a ver também com a forma com que eu, artista, realizo meus trabalhos em dança, sempre pensados como hipóteses sobre o mundo/produção de conhecimento. O formato do livro também pede para ser lançado dessa forma, até mesmo para ser coerente com a forma que eu trabalho”, explica a autora.

A publicação chega em cena ainda em um momento especial para Adriana Banana, coreógrafa e diretora artística do Clube Ur=H0r (lê-se “U” de “r” é igual à “H” “Zero” de “r”) que completa neste ano, 2012, 15 anos de história. A proposta estatutária do Clube Ur=H0r (criado juridicamente em 1997) é o desenvolvimento de projetos que unam arte e ciência, de forma inter e transdisciplinar.

TRISHAPENSAMENTO

O livro é sobre um tipo de pensamento presente em trishapensamento que é a formulação do espaço como previsão meteorológica, portanto, não é um livro sobre a Trisha Brown, o que significa que sua obra não se esgota nem no assunto, nem na abordagem do assunto. Poderiam ter sido trabalhados inúmeros outros eixos sobre o seu trabalho, mas o espaço meteorológico se impôs e apareceu ruidoso e inominável em 2000, ao fim da pesquisa coreográfica de “Do Zero ao Limite do Um” (Bolsa Vitae); propulsionou em 2001, residência (a título de especialização via Bolsas Apartes Capes – MEC) na Trisha Brown Dance Company; após 2001, formulou-se como hipóteses de desenquadramentos em trabalhos artísticos de Adriana (subvencionados pelo Fundo estadual de Cultura de MG e o Itaú Rumos Dança 2002/03 e 2009/10; mereceu um mestrado (PPG-Dança – UFBA, com Bolsas Capes). Desta forma, insistentes e profusivos, trishapensamento e espaço meteorológico ganharam a forma de livro (subvencionado pelo Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais).

“Trishapensamento: Espaço como Previsão Meteorológica” não foi pensado fora daquilo que apresenta. Não obedecendo a uma lógica habitual, ele tomou a forma de seu objeto, de trishapensamento. Com certas doses de imprevisibilidade, incertezas e incompleto, escolheu se dividir em três blocos, no qual o primeiro trata do período em que acreditamos ser o berço do espaço meteorológico, quando as obras de Trisha não eram feitas em teatros tradicionais, e o segundo apresenta como line up, inicialmente, uma coreografia de Trisha, evoluindo em diferentes modos, passando a descrição do modo de operar deste espaço. Já o terceiro bloco propõe o espaço como previsão meteorológica e apresenta o que trishapensamento se dispôs a desenquadrar.

Resultado de uma pesquisa que se iniciou em 2000, e que culminou em uma tese de mestrado, defendido na Universidade Federal da Bahia em 2008 por Adriana Banana, formada em Filosofia pela UFMG, o livro tem como proposta pensar o espaço e o corpo na dança, através da obra da coreógrafa americana Trisha Brown, ícone da dança contemporânea mundial. Um dos motivos da escolha do tema é ó surgimento de Trisha nos anos 60 em Nova York, além da aproximação artística entre Trisha e Adriana. O livro chama a atenção para o quanto nossas artes e vida foram moduladas pelo entendimento de espaço forjado durante o Renascimento e consagrado com o espaço pensado por Newton, ou seja, hierárquico, homogêneo (todas as suas partes iguais), estático (não temporal), absoluto, como uma caixa pronta a ser habitada, mas que é possível desenquadrar esta prática de espaço. Para Adriana Banana, “a obra de Trisha é exemplo de como é possível pensar o espaço sendo sempre aberto, nunca pronto e, ainda, quando construído, ser espaço de possibilidades. Trisha é uma das artistas que nos inspiram a desenquadrar verdades já engessadas”.

Para trabalhar a obra de Trisha Brown, foi preciso pensá-la junto de seu entorno e contexto, onde se estabelece uma conexão com a arte realizada nos anos 60 e 70 em Nova York. “Tem muita coisa, muitos documentos, no trishapensamento, recolhidos na própria biblioteca pública de Nova York, quando eu estudava sobre a Trisha e também nas aulas com sua companhia. Por isso eu fiz questão de recolher este material e incluí-lo no livro, traduzido para o português, até mesmo para suprir uma lacuna da bibliografia de dança no Brasil, já que aqui é escasso o material sobre dança nos anos 60 em Nova York”, explica Adriana. “O legal é que o próprio livro é uma forma de dança, coreografia, que possui uma lógica que pode ser reconhecida como as minhas próprias obras artísticas. Ele não é ensimesmado, mas não deixa de ser pretensioso, uma vez que, além de estar sempre sendo feito, propõe o espaço como possibilidades coexistentes e não excludentes, possibilidades não como potências, mas como realidades. Isso é o que as artes fazem: produzem espaços possíveis. O livro é um híbrido, uma proposição artística, uma peça de dança, não só sobre a Trisha. Ele replica o meu posicionamento ético e político em relação ao mundo”, conclui.

BANANA EM TRISHA, TRISHA EM BANANA

Desde o ano de 2000, quando recebeu a Bolsa Vitae de Artes, Adriana Banana investiga artística e teoricamente a questão do espaço na dança. Formada em Filosofia, esteve sempre conectando teoria e prática para entender, aprofundar e produzir seus estudos acadêmicos e proposições coreográficas. Em 2001, recebeu a Bolsa APartes (MEC – Capes) para realizar um ano de residência junto a Trisha Brown Dance Company em Nova York. A escolha por Trisha se deu pela familiaridade de forma de pensamento em dança que Adriana reconheceu em sua obra. Trisha surge na década de 60 e 70, quando Nova York vivenciava uma verdadeira revolução no modo de fazer e pensar arte. Não é por acaso q ue essa época é marcada pela interdisciplinaridade entre as artes. Trisha Brown é também artista plástica e diretora de óperas dentre as quais, Orfeu de Monteverdi, a qual revolucionou o modo dos cantarem atuarem: eles também dançam.

O modo de entender o espaço por Trisha, iniciado com suas primeiras coreografias ao ar livre, em cima de prédios, em módulos boiando sobre um lago, em um carro em movimento, é central para a configuração de todas as suas obras e a corporalidade específica de seus dançarinos. É um pensamento sobre espaço que pode ser pensado como previsão meteorológica, dada a instabilidade, fluidez, multivetorialidade, assimetria e, principalmente, sua recusa em estacionar numa fórmula artística que alçam sua obra como ícone deste espaço contemporâneo: incerto, possível, provável, instável, assimétrico, nunca pronto e, ainda por ser feito, por excelência, aberto.

Desta forma, o livro não se atém a falar exclusivamente sobre Trisha Brown. Através da dança, o leitor terá referências de outras áreas artísticas, incluindo a moda, a arquitetura, as artes visuais, e uma história do espaço, conectando arte e ciência, a partir do renascimento. Como resultado de mais de uma década de pesquisas e práticas artísticas, “Trishapensamento: Espaço como Previsão Meteorológica” é uma obra que promete ser referência na área da dança.

ADRIANA BANANA

Fundou o Clube Ur=H0r em 1997, com o lançamento do espetáculo “Creme”. Formada em Filosofia pela UFMG, Mestre em Dança (UFBA) e doutoranda em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), é idealizadora e diretora artística do FID (Fórum Internacional de Dança), criado em 1966. Desde 1988, Adriana já participou de mais de 17 espetáculos de dança como dançarina, coreógrafa ou diretora.

No Clube Ur=H0r (Belo Horizonte) é responsável pela concepção/coreografia de 11 espetáculos: “Creme” (1997), “Magazin” (1999), “Solo para Thembi” (2002), “Corpo de Referência” (2003), “Desenquadrando as Possibilidades do Movimento” (2004), “Zonas de Transição” (2005) para o Grupo Camaleão, “Prop.posição #1-Necessário a posteriori + demonstração de desenquadramento” (2007), “Kronosmaterial” (2008), “Espaço como fluxos de possibilidades” (2010), “Prop.posição #2 – Desenquadrando Euclides” (2010) e “Saravá Bien !!!” (2010), que foram apresentados em diversas cidades e eventos do país como o Panorama Rio Arte de Dança, FILO, Mostra Rumos Itaú Cultural, Festival Internacional Viva La Danza! em Quito no Equador, Bienal de Dança de Santos, entre outros.

Em 1999 foi contemplada com a Bolsa Vitae de Artes onde realizou a pesquisa coreográfica do projeto “Do zero ao limite do um”, e premiada pelo Rumos Dança com “Desenquadrando as Possibilidades do Movimento” (2004). Em 2005 foi curadora da área de dança para a programação da Semana de Minas no evento Brasil na França do Governo de Minas.

Recebeu do Governo do Estado de Minas Gerais ainda a Medalha de Tiradentes, como coreógrafa.
Foi co-fundadora da Companhia de Dança Burra (Belo Horizonte) onde trabalhou como dançarina, coreógrafa, produção de textos e objetos e compositora de trilhas sonoras para seus espetáculos (1988-1995). Em 1993, a convite do diretor Alain Platel, participou da montagem “Bonjour Madame” do grupo belga Les Ballets C. de la B. como dançarina

Em 2001 foi premiada com a Bolsas APartes (MEC-Capes) para residência em Nova Iorque na Cia Trisha Brown e pelo programa Itaú Rumos Dança 2009-2010 nas 2 etapas da pesquisa “espaço como fluxos de possibilidades” e montagem do espetáculo “Sarava Bien !!!” para a sua Cia Clube Ur=H0r, que estreou em São Paulo na sala Itaú em dezembro de 2010.

Atualmente, Adriana Banana recebe o Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo – 2011 pela concepção das obras

“Prop.posição #2 – Desenquadrando Euclides” e “Prop.posição #1 – Necessário a posteriori” e está entre os três finalistas nas eleições para o Conselho Estadual de Política Cultural, o Consec, divulgado recentemente pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.

Horário: 19h às 21h

Endereço: Av. Antônio Carlos, 6627 – Campus Pampulha – BH

Local: Sala Otávio Cardoso Teatro Universitário UFMG

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